Uma jornada no “campo masculino” entre Henris, Zés e Déboras
Como homens estatísticamente lêem menos que mulheres, (o que será que é isto? Estão contando rótulos de produtos do supermercado, listas de compras, ou será que fazemos melhor uso do pouquíssimo tempo que temos?) com um título destes estaremos totalmente à vontade aqui para fofocarmos no nosso clube da Luluzinha.
A questão parceria ou auto-suficiência vai além do aspecto teológico. Chega até à nossa cosmovisão, ao nosso universo conceitual. O que é igreja para nós?
Este discurso é muito comum na igreja brasileira. Se você quer saber mais sobre este assunto leia este artigo. Ele vai te ajudar a entender melhor o corpo de Cristo e a relação missão/igreja local…
Estava lendo a VEJA outro dia e descobri que existem fábricas de confecção especializadas em roupas evangélicas. A revista mostrava várias fotos de uma modelo elegante vestida de evangélica. As roupas até que nem eram feias, nem a reportagem claramente pejorativa. Parecia uma matéria factual, sem tendências, que se atinha a mostrar este setor especializado como a descoberta de um novo nicho de mercado…
Estamos sempre orando por obreiros, a seara é grande, faltam líderes, faltam mãos para o trabalho, faltam cérebros, faltam joelhos para orar. Ontem à noite recebi um telefone de um casal daqui da base, falando desde uma cidade remota na fronteira de Acre e Peru:
“-Ah Bráulia, ore por nós, não sabemos o que fazer, presenciamos muita bandalheira, os políticos da região para se eleger levam caixas de cachaça e álcool puro para as aldeias, embebedam os índios, brigam, espancam os homens e as mulheres. Um deles fez pior, se ajuntou com duas irmãs, engravidou as duas, bate continuamente nelas, ontem derrubou uma das grávidas de um barranco cinco vezes. Todas as vezes que ela se levantava e subia ele a derrubava novamente. Nós vimos e nem assim ele parou. É estúpido e domina o pai das moças com álcool e os irmãos com violência. Temos que denunciá-lo mas ele está ameaçando nossas vidas. Nos seguiu quando viemos até a vila, mas hoje à noite temos um encontro com a Polícia Federal para falar sobre o que acontece na aldeia. ”
A voz da mulher me contando o que passava tinha um tom resoluto. Ela sabia o queria fazer e não estava com medo apesar das ameaças. Ao mesmo tempo que falava se supria de uma consciência mais intensa de que não podia deixar as coisas como estavam. A denúncia faz diferença entre a mudança daquele mundo onde dominam as armas, o pecado e a falta de lei, para o reino de Deus que eles levavam que significava justiça, respeito e vida nova para os índios e às comunidades brasileiras ao redor.
Os critérios de Jesus parecem ser diferentes dos nossos. Alguns dos chamados eram profissionais, outros jovens, outros até supostos corruptos de carteirinha.
Treinar jovens? - Ah… muito trabalho. - Indígenas? - Ah muito complexo… - Adultos maduros? - Ah, são muito rígidos difícil de mudar… Parece que deste jeito nunca vamos encontrar ninguém para a missão.
Quem é o missionário ideal? Para começar a inumerar as qualidades do missionário ideal e ditar as regras de quem deveria ou não fazer missões, eu teria pretender ser melhor que o próprio Jesus.
Jesus orou para que, estando no mundo, ficássemos livres do mal, Mais do que uma canção sobre a redenção de uma mulher mal amada, “Valsinha”1 pode cantar também a graça e ser o fundo musical da redenção cultural da igreja de Cristo no Brasil de hoje.
Por vários anos, estivemos como que dormindo. Nosso vestido de festa no armário, um complexo de inferioridade acachapante, um gemido sufocado por canção. Apesar de estarmos crescendo, sempre nos sentíamos menores, copiávamos teologias e modismos estrangeiros, espelhávamos nossas igrejas nas de outras terras, enviávamos nossos filhos para estudar fora como que necessitando de uma legitimidade estrangeira que não se achava por aqui.
Jesus orou para que, estando no mundo, ficássemos livres do mal, mas parece que insistimos em sair do mundo e continuar com o mal. Afastamo-nos das formas culturais como se fossem malignas por si mesmas, mas permitimos que valores errados nos influenciem, desde que tomem formas religiosas. Afastamo-nos também das indagações do mundo. Como disse alguém: dizemos que Cristo é a resposta, mas para qual pergunta? Já não conhecemos as perguntas que o mundo nos faz.
Vamos investigar uma idéia que é constante no cinema atual: carma ou escolha. Existe o livre-arbítrio ou seguimos um destino pré-determinado? Vários filmes recentes tratam do assunto. Talvez seja um sinal de que esta nossa megacultura ocidental está descobrindo suas fraquezas, precisando se reinventar, e busca subsídios teológicos para isso.
Lembra-se daquele cego que Jesus curou primeiro parcialmente, depois totalmente?
Primeiro ele viu pessoas como árvores. Alicja Iwanska, citada num livro de Paul Hiebert, diz que temos a tendência de ver pessoas que não são parte do nosso contexto social imediato como parte da paisagem, ou um pedaço de mobília(1). Creio que ver as pessoas assim é ver como o cego: “Vejo pessoas; elas parecem árvores andando” (Mc 8.24, NVI). Jesus precisou curá-lo duas vezes para que ele ficasse livre desse problema.
Um dia, durante o culto semanal de nosso grupo missionário, recebi esta cura. No louvor, uma alemã hipponga, de trinta e poucos anos, tocava violino. Ela e o marido têm quatro filhos e fazem um trabalho difícil numa tribo. Passar noites atolada no barro da estrada que dá acesso à tribo é comum no seu dia-a-dia de mãe missionária. É uma heroína, dessas saídas dos livros dos heróis da fé. Ao lado dela, uma maranhense cheia de unção e coragem, que também trabalha com o marido e dois filhos, implantando uma igreja viva numa tribo, à custa de muito jejum e oração. Mais ao lado, tocando violão, ainda um tanto tímida, uma mocinha católica, toda tatuada, recém-chegada para o curso básico. Pela primeira vez, depois de três semanas aqui, ela consegue cantar. Está livre, adorando como se nunca o tivesse feito antes.
“Eu prefiro ser…
Esta metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo…” Raul Seixas
Parece que tem sabedoria nas palavras do Raul, apesar de tudo. Provavelmente quando cantava ele pensava estar criticando o status quo, a estrutura vigente. E nada mais representativo desta estrutura do que o cristianismo. Ele com certeza achava que estava batendo de frente com o pensamento cristão…
Mas será que estava? Somos criticados, nós os cristãos, por mantermos padrões, seguirmos doutrinas e dogmas. Mas o cristianismo vivo e dinâmico nos leva para muito além dos dogmas, aliás chega a chamar os dogmas de idolatria. Este cristianismo nos incentiva a “conhecer e prosseguir conhecendo”, numa busca incessante e sincera: “buscar-me-eis e me achareis quando me buscares de todo coração”. Este conhecimento também é o tipo conhecimento que deve gerar em nós algum tipo de transformação pessoal. Não é meramente intelectual, mas é dinâmico e humano, entra fundo em nós gerando mudanças constantes.
Já estão no Youtube a algum tempo os novos vídeos promocionais da JOCUM Internacional. Legendamos o primeiro - Think YWAM, e estaremos postando no Youtube, no canal JOCUM Brasil. Por enquanto só tem este, mas depois vem mais.
Abraços a Todos,
Pé na Estrada
Pé na Estrada é um Blog pra quem descobriu-se na estrada de Missões e não sabe bem o que fazer. Nosso objetivo é postar dicas e informações que podem ajudá-lo nesta nova caminhada. Fique a vontade, a casa é sua.