Jesus orou para que, estando no mundo, ficássemos livres do mal, Mais do que uma canção sobre a redenção de uma mulher mal amada, “Valsinha”1 pode cantar também a graça e ser o fundo musical da redenção cultural da igreja de Cristo no Brasil de hoje.
Por vários anos, estivemos como que dormindo. Nosso vestido de festa no armário, um complexo de inferioridade acachapante, um gemido sufocado por canção. Apesar de estarmos crescendo, sempre nos sentíamos menores, copiávamos teologias e modismos estrangeiros, espelhávamos nossas igrejas nas de outras terras, enviávamos nossos filhos para estudar fora como que necessitando de uma legitimidade estrangeira que não se achava por aqui.
Por muito tempo, tivemos vergonha de nossas formas e modelos tupiniquins, de nossa cosmologia “supersticiosa”, de nossas organizações desorganizadas e flexíveis. Então nos intelectualizamos, usando a vestimenta greco-ocidental. Copiamos idéias outras, conceitos outros, gente outra, deuses outros. Mas…
Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar…
A diferença entre Cristo e este marido é que Cristo não está diferente agora, nem maldizia antes a vida, nem deixava a noiva num canto. Mas nós o víamos assim. Nós o víamos um Cristo dos outros, um Cristo europeu, cujo amor por nós não podia ser pleno. Ao contrário daquele índio mexicano que um dia argumentou com Cameron Townsend, fundador da missão Wycliffe: “Se Cristo me ama, por que não fala minha língua?” Nós, ao nos depararmos com o Cristo europeizado, americanizado, não duvidamos de sua divindade e de seu amor, mas duvidamos de nossa condição: Ele não nos ama como somos, com toda razão. Somos muito feios. Somos muito brasileiros, somos muito negros, muito índios, muito ignorantes. O evangelho estrangeirado só veio somar mais dor à ferida de nossa rejeição colonial. Mazombos perdidos em terras sul-americanas, europeus morenos, não gostamos de ser quem somos. Sofremos daquele complexo da esposa de Salomão2. Morenos demais, baixos demais, alegres demais.
Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado, cheirando a guardado, de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar…
Finalmente a noiva despertou. Enxergou o amor do noivo, seu desejo, seu carinho. Finalmente a noiva se entregou e, ao amá-lo, se amou, bêbada de aceitação, de descoberta, de restauração. Finalmente colocou seu vestido de festa e saiu com dignidade para a praça.
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda a cidade enfim se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos, como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz.
E para receber o amor pleno do noivo, a noiva tinha de estar na praça, em público. Amor oculto, amor de motel é amor ilegítimo, ilegal, restrito. Amor de pracinha é amor público desavergonhado, reconhecido por todos. Ao se descobrir, a noiva se torna feliz, e sua felicidade se espalha como uma luz na cidade escura, como sal sobre a terra insossa, como água sobre o deserto sedento. E o mundo, quando a vê, compreende como deve ser. Ao vislumbrar seu abraço enlouquecido com o Rei do Universo, descobre seu destino, sua identidade, seu norte. E o dia amanhece lindo na noite da ignorância. Assim, a paz, que excede todo entendimento, alcança nossa mente cansada.
Oh, sim, vem, Jesus! Vem dançar comigo. Restaura minha dignidade, me ama como eu sou, me deseja assim morena, negra e índia, louca de amor por Ti, com meu jeito de louvar e adorar dançante e pleno de ritmos…
Só ama a Deus o povo que se ama.
Ouço a voz do meu amado
Ele me leva ao seu jardim
A sua voz me chamando
Sua mão está sobre mim.
Posso sentir seu perfume,
Sua fragrância de amor
Seu olhar me consome
Sua mão está sobre mim.
Vem, vem, vem dançar comigo, Jesus
Vem, vem dançar comigo
Leva-me em teus braços
Leva-me em teus braços de amor.3
Notas:
1 Música de Chico Buarque de Holanda e Vinícius de Moraes, 1970.
2 “Não olheis para o eu estar morena, porque o sol me queimou. Os filhos de minha mãe se indignaram contra mim e me puseram por guarda de vinhas; a vinha, porém, que me pertence, não a guardei” (Ct 1.6).
3 Vem dançar comigo, Jesus, de Davi Silva, 2OO2.
Braulia Ribeiro - Pioneira no Norte do Brasil trabalhando entres tribos indígenas, é missionária de Jovens Com Uma Missão desde 1980. Formada em Etno-lingüística pela University of the Nations no Havaí, e com mestrado em Lingüística Antropológica pela Universidade Federal de Rondônia dá assistência lingüística e antropológica às equipes que trabalham nas tribos e é coordenadora acadêmica do campus da Universidade das Nações em Porto Velho. É casada com Reinaldo Ribeiro e juntos lideram o Ministério Transcultural em Porto Velho-RO. Leia também seus artigos na revista Ultimato.
novembro 20 de 2007 às 2:20 pm
Eu danço a 5 anos todos os dias tenho orado para que
a dança nunca morra em minha vida, pois é o melhor que eu dou para Deus. Poder dançar sempre na presença D´Ele, poder bailar com Espírito Santo é muito bom. Este texto foi bom para acender uma nova chama no meu coracão.
dezembro 22 de 2007 às 10:31 am
A dança é uma das minhas maiores alegrias e quero encontrar um lugar para ela no espaço de minha adoração ao Senhor. Rogo a Deus que me mostre como fazê-lo.
março 11 de 2008 às 6:27 pm
sem duvidas a dança me leva as alturas!!!
danço pra Jesus a 7 anos e tenho muito amor nisso.
Dançando eu canto, choro , me alegro, bato palmas, oro….
dançar é louvar de corpoe alma.
que Deus levante dançarinos-adoradores nesta geração!!
março 13 de 2008 às 3:11 pm
Eu simplesmente amo dançar pro senhor,desde pequena dançava ,e com o decorrer de minha idade continuei dançando,mas dançava pra SATANAS, dançava pro mundo, e quando tive um encontro com o Senhor ,Ele transformou a minha dança* UMA DANÇA SOMENTE PARA ELE *,uma dança profetica ,aonde hoje danço e ensino em minha igreja, adolescentes que tambem amam dançar.louvo a Deus por todos que dança, e creio que o Senhor levantara mais Adoradores da dança nesta geração*E SEREMOS A GERAÇAO QUE DANÇA!*oh!Glorias!
março 25 de 2008 às 4:49 pm
adorei os comentarios, faço parte de um ministério de dança a nosso lema é MINHA DANÇA MINHA MAIOR ESPRESSÃO DE AMOR, tudo isso é muito importante pra mim, agradeço a DEUS todos os dias por este privilégio fico feliz quando pessoas faser o mesmo!!!!!!!!!!
maio 3 de 2008 às 12:01 pm
A dança é uma forma extravagante de expressar o amor a Deus,
por isso eu danço, amo dançar, etc..
Graça e Paz!
setembro 9 de 2008 às 11:31 pm
ola?
shalon?
eu sou patricia tambem danço a 3 anos eu amo dança,quando danço pareço frutuar eu nao vejo ninquem tenho vontade de conhecer pessoas que dança se quise tc comigo meu imail e pattriciamayra@hotmail.com.br
berijos! espero vc!
setembro 24 de 2008 às 10:38 am
Oi!
quando eu danço parece que estou nas nuvens só eu e Deus
mas infelismente minha igreja não permite que haja dança no templo e isso está me matando.
ore por mim.
obrigada beijos
setembro 29 de 2008 às 11:51 pm
EU QUERO UM AMOR DE PRACINHA!
Sim, é esse amor puro, delicado, púlbico, carinhoso que só Jesus pode me dar! E quero sim dançar sempre com Ele, não apenas em expressão de louvor e adoração, mas para desfrutar de sua presença, olhar nos teus olhos e ser conduzida pelos teus braços enquanto ouvimos o som celeste…
Dançar com Jesus é uma experiência única de contentamento e desejo de que aquele momento dure para sempre…
outubro 25 de 2008 às 9:45 pm
gostei,achei essa pesquisa o maximo.
outubro 25 de 2008 às 9:47 pm
adorei esse site e estes comentarios sobre dançar com DEUS.