Satanizaram o Natal

Publicado por em 2 de janeiro de 2012 | 4 comentários

De como os evangélicos vão ficando cada vez menos humanos e trabalham sem saber para a desevangelização do Brasil

Satanizaram o Natal. Me parece até surreal quando vou a igrejas, e a sites evangélicos, e não se faz nem uma referência ao Natal sequer, nem se tem um culto de celebração dia 24, ou 25 parte da tradição cristã há tantos séculos. Às vezes não acredito, me belisco, penso, não, esta doença vai passar, mas que nada, se alastra mais e mais. Mesmo os cristãos que contra a corrente mandam seus cartõezinhos, se sentem no dever de nos exortar contra o comercialismo, contra os presentes, no meio de votos tímidos de felicidade e feliz ano novo. Quando encontro um irmão na rua e desavisadamente comprimento com um animado: “Feliz Natal!” Eles me olham como se estivesse falando uma heresia, ou num ar condescendente explicam que já não estão mais neste mundo e que Cristo nasce todo dia….

Tradições religiosas como o Natal tem o papel de reforçar valores sociais comuns. Enquanto no carnaval e no reveillon, a tradição é subverter valores, se esbaldar, praticar o impraticável durante o resto do ano, por isto são chamados por Roberto Damatta, antropólogo brasileiro de “ritos de inversão”, na festa do Natal principalmente os trabalha para reforçar os valores positivos. Natal é a festa da família, de comer juntos um peru, de decorar a árvore ou o presépio, de cantar hinos, de se presentear os amigos, os familiares, de dar gorjetas maiores, de pensar nos que estão distantes. Nesta época Holywood lança inúmeros filmes sobre pais e filhos, pais desnaturados com valores errados, que de alguma forma perderam a noção do que é importante, e nesta época se encontram com algo que “os converte” novamente à família. Nesta época até os sem religião ficam com os olhos marejados diante de um presépio bem feito, ou dos garotos cantando canções natalinas nas janelas do HSBC em Curitiba.

Boicotar as festas cristãs mais importantes como o Natal e a Páscoa é boicotar-se a si mesmo, perder uma boa oportunidade para falar de Cristo, abraçar pessoas, espalhar fraternidade e carinho numa época em que as pessoas se voltam automaticamente umas para as outras. Nossa vida em sociedade é feita de ritos, tradições e heranças simbólicas. Estes crentes anti-natal, dominados por um zelo místico e sem respaldo bíblico querem renegar todas suas tradições culturais, até as mais inofensivas.

Ritos de reforço são tão necessários quanto ritos de inversão. Não é porque nos convertemos que deixamos de ter cultura. Continuamos a ter necessidade de reforçar socialmente o que acreditamos. Ironicamente a falta do Natal, junto com a demonização de certos símbolos cristãos como a cruz, continuou tendo este mesmo fim social. Se tornaram os “desritos” que reforçam a separação evangélica do mundo. Mas porquê se tornaram necessários artifícios sociais como estes, se a nossa cultura cristã quando puramente bíblica já nos “marca” automaticamente com uma diferença moral, já nos banha como o hissopo da conversão do caráter que tem não tem paralelo a nenhuma outra experiência humana? A mudança de caráter, a conversão de valores é segundo Jesus (Jo17) e deveria continuar sendo a maior marca que torna os cristãos conhecidos não importa a cultura, os ritos que praticam ou deixam de praticar, a freqüência ou não na igreja.

Infelizmente o sincretismo moral tomou conta da igreja. Pregamos nos nossos púlpitos do mesmo jeito que se prega nas palestras de auto-ajuda nos auditórios de hotéis. Você pode, você merece, você tem direito. Estamos debaixo da soberania do eu, da tirania da felicidade egoísta. Se distribuem riquezas, beleza, orgasmos múltiplos, alegrias festivas nos púlpitos, numa supercialidade que nos faz duvidar que Jesus morreu na cruz, mas deve ter acendido aos céus numa almofada cor de rosa.

O Natal vai sim se tornar uma festa cada vez mais pagã. Vai se falar mais em trenós, duendes e renas, neve (mais uma estupidez nossa, europeus dos trópicos) e cada vez menos no nascimento de Jesus, porquê nós não vamos estar presentes no cenário cultural geral para salgar nada. Vamos ignorar a importância da história mais recente, super-valorizando uma origem pagã datada de milhares de anos atrás.

Nosso cristianismo vai se tornar apenas uma experiência mística vazia, ao invés de uma realização do fato mais importante da história da humanidade, o nascimento do criador em forma de homem. Fato constado historicamente, documentado, materialmente fisicamente e culturalmente real num dia específico da história humana. Um dia ele nasceu, não sei se em setembro, novembro ou dezembro, a acuracidade do mês e do dia não importa tanto quanto o evento. Um bebê humano em toda sua fragilidade, chorou ao ser parido por uma mãe humana. Mas nele havia o DNA divino. Nele estava contida toda a plenitude da divindade, numa maneira que nossa mente limitada não alcança entender. Ele era Deus mas não teve por usurpação o ser igual a Deus, mas antes tomou a forma de servo e seguiu até a morte na cruz.

Nascer, viver, morrer e ressucitar de uma maneira divina, no entanto humana foi sua mensagem principal. Eu os amo, amo a ponto de me encarnar, de me limitar à sua humanidade, de me tornar criatura, eu o Criador, e assim ensinar-lhes como viver. E assim marcar a história humana com um AC DC. E assim me tornar o autor da maior transformação que a humanidade já sofreu. Esta história que se repete hoje nas nossas vidas, é verdade que ele “nasce” dentro de nós quando nos convertemos, teve um início.

Só me resta agora lamentar nossa ignorância. Ignorância religiosa, sociológica, cultural. Desprezamos símbolos importantes numa fase em que deveríamos reforçar-lhes o valor. Iludidos por ensinos enganadores, superficiais, que desconsideram tanto a história deixamos de relembrar a humanidade do que ela já sabia, mas está esquecendo.

Só me resta lamentar este evangelicalismo armadilha no qual fomos presos. Não sabemos ser cristãos mais. Tornamos-nos semi-bruxos exotéricos, neo-cristãos-medievais próximos das experiências místicas, mas distantes das verdades históricas profundas. Somos capazes de pregar uma felicidade terrena sem limites, mas incapazes dos sacrifícios morais, incapazes da verdadeira santidade, somos capazes de discriminarmo-nos uns aos outros com base em sutis discrepâncias doutrinárias, no entanto incapazes de amar.

Feliz nada para nós, pobres cristãos sem sal.

Pioneira no Norte do Brasil trabalhando entres tribos indígenas, é missionária de Jovens Com Uma Missão desde 1980. Formada em Etno-lingüística pela University of the Nations no Havaí, e com mestrado em Lingüística Antropológica pela Universidade Federal de Rondônia. É casada com Reinaldo Ribeiro e depois de muitos anos juntos liderando o Ministério Transcultural em Porto Velho-RO, hoje trabalham em Kona, Havai. Leia também seus artigos na revista Ultimato.

4 Comentários

  1. Concordo com Tiago Scaffo.

  2. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk lapada ein senhora sabe tudo !!! aff Jesus volta logo.
    Mano Tiago Scaffo to contigo nao abro nem pra um trem carregafo de ferro.

    Acho impressionante:
    Braulia Ribeiro
    Pioneira no Norte do Brasil trabalhando entres tribos indígenas, é missionária de Jovens Com Uma Missão desde 1980. Formada em Etno-lingüística pela University of the Nations no Havaí, e com mestrado em Lingüística Antropológica pela Universidade Federal de Rondônia. É casada com Reinaldo Ribeiro e depois de muitos anos juntos liderando o Ministério Transcultural em Porto Velho-RO, hoje trabalham em Kona, Havai. Leia também seus artigos na revista Ultimato.

    E nao estudou de onde veio o costume de natal? kkk ai ai! rasga os diplomas princesa. e começe orar e jejuar; e isso vai te levar a genuina comunhao com Deus e te dar dicernimento,direcionamento. Voce pensou mesmo que somos um bando de nativos sem formação e sem informação, sem conhecimento?!. Afinal todos somos formadores de opniao em nossas comunidades, e falar de Cristo nao é pra qualquer um; Mais respeito! Nao é qualquer reino que vc representa, nao toque nos ungidos, os ridicularizando… ou vc acha que nos aqui no Brasil nao temos noticas de como os cristãos estao vivendo ao redor do mundo ? Raça sem compromiço! e com tanto tempo de liderança amada BRAULIA no minimo vc tinha que ter bom censo e conhecimento .
    OBS: pega todas as dicas do Tiago Scaffo e aproveite e pesquisa tbem sobre Íses e Osíres kk que na católica são a irmã e Maria e o outro é meu Rei, o raboni da galiléia, a saber Jesus O Cristo #ficadica

    Vamos parar com Show e voltar ao velho evangelio simples!

    Dário Rigolberto simplesmente um servo. 27 anos de idade

  3. É por isso que a igreja cristã vai de mal a pior. O natal nunca foi e nunca será uma festa cristã. Só para começar farei uma pergunta a você que está lendo: Você comemora seu aniversário ou o aniversário de alguém fora da data? Bom, eu acho que ninguém comete esse equívoco. Na verdade não há nenhum respaldo bíblico para comemoração de aniversário, mas isso já é outro assunto. A questão aqui é o natal. Eu acho impressionante os argumentos que usam para defender essa festa, como por exemplo: “Boicotar as festas cristãs mais importantes como o Natal e a Páscoa é boicotar-se a si mesmo, perder uma boa oportunidade para falar de Cristo, abraçar pessoas, espalhar fraternidade e carinho numa época em que as pessoas se voltam automaticamente umas para as outras.” Boicote? Perder oportunidade? Espalhar fraternidade e carinho? Não há boicote, há oportunidade todos os dias para falar do amor de Cristo, e espalhar fraternidade e carinho é o que devemos fazer sempre como cristãos. E lembre-se que o assunto é sobre o Natal e não sobre a Páscoa. Mas pense: se devemos comemorar o natal por uma questão cultural devemos também comemorar o carnaval, não acha? Afinal, é culturta brasileira. Chega a ser engraçado.

    A maioria das pessoas supõem muitas coisas a respeito do Natal coisas que realmente não são certas. Não fiquemos nas suposições, busquemos os fatos. O que dizem as Enciclopédias? Leia: A festa do Natal teve sua origem na Igreja Católica Romana e desta se estendeu ao protestantismo e ao resto do mundo. Mas em que se inspirou a Igreja Católica? Não foi nos ensinamentos do Novo Testamento. Não foi na Bíblia e nem nos apóstolos que foram instruídos pessoalmente por Jesus. O Natal se introduziu na Igreja durante o século IV proveniente do paganismo. Sendo que a celebração do Natal foi introduzida no mundo pela Igreja Católica e não tem outra autoridade senão ela mesma. Vejamos o que diz a respeito a Enciclopédia Católica (edição de 1911):

    “A festa do Natal não estava incluída entre as primeiras festividades da Igreja. Os primeiros indícios dela são provenientes do Egito. Os costumes pagãos relacionados ao inicio do ano se concentram na festa do Natal”.

    Na mesma enciclopédia encontramos que Orígenes, um dos chamados pais da Igreja, reconheceu a seguinte verdade: “… não vemos nas Escrituras alguém que haja celebrado uma festa ou um grande banquete no dia do seu natalício. Somente os pecadores (como Faraó e Herodes) celebraram com grande regozijo o dia em que nasceram nesse mundo”.

    A Enciclopédia Britânica (edição de 1946) diz: “O Natal não constava entre as antigas festividades da Igreja. Não foi instituída por Jesus Cristo nem pelos apóstolos, nem pela autoridade bíblica. Foi tomada mais tarde do paganismo”.

    A Enciclopédia Americana (edição de 1944) diz: “O Natal de acordo com muitas autoridades, não se celebrou nos primeiros séculos da Igreja Cristã. O costume do cristianismo não era celebrar o nascimento de Jesus Cristo, mas sua morte. (A comunhão instituída por Jesus no Novo Testamento é uma comemoração da Sua morte).

    Em memória do nascimento de Cristo se instituiu uma festa no século IV. No século V, a Igreja Oriental deu ordem de que fosse celebrada para sempre e no mesmo dia da antiga festividade romana em honra ao nascimento do deus Sol, já que não se conhecia a data exata do nascimento de Cristo”.

    Tomemos nota deste fato importante. Estas autoridades históricas demonstram que durante os três primeiros séculos da nossa era, os cristãos não celebraram o Natal. Esta festa foi introduzida na Igreja Romana no século IV e, somente no século V, estabelecida oficialmente como festa cristã.

    Em Jeremias 40:2-6, Isaías 44:14-17, Oséias 4:13 e Deut. 16:21, vemos que os povos, desde a antigüidade, possuíam o costume de utilizar a madeira bem como as árvores, com fins de idolatria. Muitas dessas árvores ou pedaços de madeira serviam para adoração e culto doméstico. O pinheiro, símbolo natalino, possui a mesma conotação .

    “Assim diz o Senhor : Não aprendais os caminhos dos gentios (pagãos)… Porque os costumes dos povos são vaidade…” (Jr 10:2-3).

    Pesquisem mais e deixemos para trás esse mundo que já está no maligno!

  4. Todos os cristãos deveriam ler isso!

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